sábado, 9 de junho de 2007

A Prima

Denis olhava para a figura da jovem mulher. A porta estava aberta e Joana se trocava sem o menor pudor. Denis a ouvia cantar e queria se entregar à melodia da sereia. Enquanto isso, na sala sua mãe conversava com uma vizinha, mas Denis não prestava atenção; continuava a olhar a jovem moça que era sua prima. Joana penteava os seus cabelos compridos até a cintura cantarolando uma canção romântica. O seu corpo já dava sinais de uma fase de transição com mamílos em processo de enrijecer a fase adulta. Denis contemplava-a com admiração. O jovem nunca tinha visto uma mulher nua, ainda mais a sua prima. Ele então se afastou, no intuito de correr da tentação; mas voltou rapidamente a olhar para a jovem que agora passava um creme em sua barriga. " Eu daria tudo para saber os seus pensamentos" - pensou o jovem.
_ Denis!
"A minha mãe" - Denis correu para o seu quarto e ficou olhando pela fechadura. A velha quase sem cabelo o gritava, mas desistiu de procurá-lo.
O jovem se sentiu tentado a voltar à cena anterior. E o fez. Já na porta, Denis a contemplava.
_ Eu sei que me olhas - disse a moça
_ Você me viu?
Joana respondeu com um leve aceno da cabeça. Seus pensamentos o levaram imediatamente para a ocasião em que a moça passava o creme. E, a julgar pela expressão de seu rosto, ela sabia de tudo.
_Estava ansiosa para perguntar a você se gostou do que viu. Gostou?
Nos outros ambientes, a cena variava. Mas de todas as janelas essa era a vista mais linda. Joana como se percebesse fechou a janela.
_ Então, não vai me responder?
_ Oh, sim - disse timidamente o jovem
_ O que acha de a gente brincar um pouquinho? - sussurou a jovem
_ Que é que nós vamos fazer?
_ Vem cá que eu te mostro!
Denis tinha as pernas bambas e suava bastante. A jovem começou a beijá-lo e a dar mordidinhas em seu pescoço.
_ Não se preocupe, meu bem. Deixe comigo!
Joana estava praticamente dentro do jovem Denis. O mesmo sentia novas sensações; mas justo naquele momento o jovem pensava na velha Lourdes. " Se minha mãe souber disso, ela me mata". No momento máximo de prazer, quando Joana gritava de tesão, a porta se abriu.
_ Meu Deus! que pouca vergonha! - com as mãos no rosto, dona Lourdes tentava não ver o filho naquela cena. Denis ainda "ereto" tentava se explicar à mãe.
_ Não é o que você está pensando!
_ Não! Vá se trocar menino! - disse a velha.
Josefa a vizinha, ouvindo a conversa veio ver a cena. "Nossa que menino gostoso" - pensou a fofoqueira.
_ Bem - disse Dona Lourdes -, que é que vocês pensam em fazer agora?
_ Continuar, mamãe!
_ O assunto é sério! moleque! Bem, Joana - continuou a mãe. _ Daqui a pouco os seus pais estarão aqui! Vocês vão casar. É isso!
_ Casar, eu! - disse Joana
_ Sim! Você levou o meu filho para o caminho da perversão. Já chega! Se troquem!
Mãe e a vizinha saíram bruscamente. Denis e Joana se olharam e caíram na risada
_ Onde paramos?

terça-feira, 5 de junho de 2007

Amor e Liberdade

O amor quer a pessoa amada sempre mais bela, mais amante de nós, se possível. Tal sentimento, abstrato na teoria, mas concreto na prática; sem dúvida, é o sentimento mais ingrato do mundo. Como diria Goethe: é o cálice da alegria e da tristeza. Mas vale a pena amar? Ah! Como se nós pudéssemos escolher. Ao mesmo tempo, que temos a tal liberdade, seja ela biológica, que seria mais conveniente chamá-la de "espontaneidade" e que é própria de todos seres vivos; ou a "liberdade psicológica" - ( liberdade de escolha e ação); não conseguimos distinguir; não sabemos o que fazer com essa "Tal liberdade". Se pudesse, não escolheria amar! Esse sentimento me machuca! Mas ele me escolheu! Sofrendo ou não, eu amo! Então, para que serve a liberdade no amor?Se nós não escolhemos a pessoa amada; por exemplo: eu quero amar aquela pessoa. Esse é o único sentimento que não lhe permite a escolha; ele vem, entra dentro de ti e pronto! Você está amando! Mas este grande e magnífico "sentimento" torna-se ilusório e fictício e causas frustações humilhantes, se o homem não tem condições de aproveitá-lo e concretizá-lo nos fatos. É preciso torná-lo livre. Mas como?

sexta-feira, 1 de junho de 2007

A Primavera

As rosas me trazem a escuridão da primavera.
Impregnando-se em minhas narinas o cheiro da mentira.
Apenas no céu se lê a mudança das estações.
"É uma primavera que se vende nos mercados".
Nunca vimos nada de semelhante:
Corpos e formas anacrônicas de prazer,
Que nos remetem às nádegas da existência humana.
Oh! Seios idôneos, como se fossem um botão de rosa, que nos incentivam a chupá-los,
no intuito de satisfazer a sede da luxúria.
Agora, é noite!
É dia ratificado!
É o momento da angústia!
És tu, o verme?
Nesse caso, tal competência de nada lhes servia.
Assim, só me resta esperar, contra toda a esperança, que,
a despeito do horror destes dias e dos gritos agonizantes,
que termine e recomece uma nova "estação".